Parque Indígena Do Xingu

O Parque Indígena do Xingu – PIX – está localizado na região nordeste do Estado do Mato Grosso, mais exatamente na porção sul da Amazônia brasileira.

Em seus mais de 2.642 milhões hectares, o visual do local é repleto de uma biodiversidade gigantesca. Em uma região de transição ecológica, florestas semideciduais secas ao sul, savanas. Também apresenta também partes de campos, cerrados, florestas de terra firme, florestas de várzea e florestas em Terras Pretas Arqueológicas.

O clima do parque consegue alternar entre estações mais chuvosas, que ocorrem entre os meses de novembro a abril. E é também quando os rios ficam mais cheios e os peixes ficam mais escassos.

O período de seca acontece nos meses de maio a outubro. Época da chamada tartaruga tracajá e também das inúmeras cerimônias realizadas entre as aldeias.

Rio Xingu

Os formadores do rio Xingu, estão ao sul do parque, compondo uma bacia que é drenada pelos rios Batovi, Jatobá, Von den Stein, Kuluene e Kusrisevo.

Kuluene é o principal formado do Xingu, se encontrando com o rio Batovi-Ronuro, formando o lindo e esplendoroso Rio Xingu.

Em 1961, foi homologada a demarcação administrativa do parque, com uma área dividida entre os municípios. Dentre os municípios: Paranatinga, Canarana, São José do Xingu, São Félix do Araguaia, Feliz Natal, União do Sul, Nova Ubiratã, Marcelândia e Querência.

A ideia da criação do parque já era antiga. Mas somente teve forte mesmo, em uma convocação pela vice-presidência da república no ano de 1952. Na qual se resultou em um anteprojeto de um parque ainda muito maior do que realmente ele se tornou.

Os poderes executivo e legislativo do estado do Mato Grosso, estavam representados neste debate. Como também o governador do estado, e assim foi sendo cedida áreas para as terras para as companhias colonizadoras.

E pelo decreto nº 50.455, de 14 de abril de 1961, foi finalmente criado o Parque Nacional do Xingu. Assinado na época pelo presidente Jânio Quadros, e sua área tinha somente um quarto do que havia sido delimitada.

E somente em 1978 veio a ter a demarcação do perímetro que havia sido planejado inicialmente e que corresponde aos atuais.

Com mais de meio século de “vida”, o parque abriga atualmente mais de 5,5 mil índios de 16 etnias diferentes.

E tem sua história repleta de marcas de invasores, lutas e epidemias.

Antes classificado como Parque Nacional, tinha como foco principal, não somente a proteção das aldeias indígenas, como também a preservação ambiental de toda aquela área.

Desde a criação do parque, ele vem sofrendo com inúmeras invasões predatórias de pescadores, fazendeiros e garimpeiros. Graças ao grande avanço do agronegócio, vem sendo cada vez mais ameaçada a preservação da área pelos povos nativos que ali vivem.

Com o passar desses longos anos, firmou-se a ideia de que as terras que sempre foram reivindicadas pelo quilombolas e povos indígenas.

Alegam que tenha no momento necessidades de reorientar o atendimento desses interesses, para se tornarem mais “produtivos”.

Alegando então que tanto os quilombolas como os índios sejam então, improdutivos.

Fazendo com que esses povos se tornem descartáveis para a economia atual e para a sociedade de consumo que vivemos nos dias de hoje.

Consideram a área como uma terra que deve ser mercantilizada e não mais um espaço para ser partilhado e vivido. Tampouco pela continuação da vida, afirma o deputado Jair Bolsonaro, em uma palestra de dar vergonha a qualquer um que seja, repleta de ódio e preconceito.

Batendo de frente com a Constituição Federal, que no artigo 231. Onde diz que povos indígenas são os detentores de direitos originários sobre essas terras. Onde já tradicionalmente ocupam. Vale dizer que compete somente a união demarcá-las, a mesma que também dá o direito as terras que já estejam ocupando as comunidades de quilombos da região.

O Parque é avaliado como a maior e uma das mais famosas reservas de etnias indígenas de todo o mundo.

É uma enorme referência mundial de diversidade cultural e ambiental para nosso país.

O Parque carrega em sua história, longas discussões sobre as reais extensões de seus limites, que durou mais de dez anos até serem definidas.

Xingu

Outra curiosidade interessante do Parque Indígena do Xingu, é que ele foi criado como uma área híbrida. Ou seja, uma área destinada a proteção de diversas tribos indígenas e também claro, para nosso ecossistema.

Inicialmente, o Parque Indígena do Xingu, deixou de ser um parque nacional, exclusivamente para não haver a confusão que ocorriam com as unidades de conservação.

A princípio, a filosofia adotada pelos irmãos Villas Boas – autores do projeto do Parque. Estava completamente relacionada a proteção do índio, evitando seu contato com as culturas dos grandes centros urbanos.

Porém, o Xingu vem passando por inúmeras transformações neste meio século de existência, que coincidem totalmente a com a história dos índios no Brasil.

De início não era permitido o uso de chinelos e tampouco andar de bicicleta. Pois evitando tais atividades, os índios manteriam seus costumes e manteriam as culturas destinadas a cada uma das tribos.

Porém, em meados de 1970, tudo começou a ser transformado, devido a alta presença de fazendeiros, garimpeiros e pescadores que se alocavam na região.

Logo após a implementação da agropecuária então, as coisas só pioraram, e somente vieram em formas de ameaças para a vida das tribos que vivem nas áreas do Parque do Xingu.

Poluição de nascentes, desmatamento e queimadas de áreas preservadas. Como também a influência ocasionada na cultura indígena, como problemas de saúde que os mesmos não sabiam como lidar. Tudo devido ao contato direto com o homem branco.

E a maior de todas as ameaças, atualmente, é a construção da Usina de Belo Monte.
Mas mesmo com todos esses ataques, o Parque Indígena do Xingu, e toda sua biodiversidade e seus povos, resistem!

Um patrimônio que é de direito de quem o habita.

A riqueza que lá existe, não deve jamais ser colocada a venda. Sendo inviolável e inegociável! Não será nenhum político que vai conseguir arrancar o pouco do que resta para esses povos.

E nós, como descendentes de povos indígenas, devemos ajudar na consagração do respeito a esses povos. Também devemos lutar pela preservação do Xingu. Mantendo o Xingu, vivo para todo sempre!

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